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"12:05"


Acordo meio estremunhado ao som de uma frenética motorizada - já de outros tempos - reviro-me na cama, tento fechar os olhos, tento readormecer, mas não consigo…
Constato no relógio digital colocado em cima da mesa-de-cabeceira que é 12:05.
Surgem-me então reminiscências da minha meninice e a passagem do “12:05”. Na altura andava eu na primária e as aulas eram da parte da tarde. O que significava que, após os trabalhos de casa feitos, tinha a manhã toda para brincar.
Naqueles tempos, ainda era perfeitamente natural e seguro brincar na rua. Jogos como a apanhada, escondidas, berlinde (conforme a época “oficial”), três pauzinhos, futebol improvisado e carrinhos, eram algumas das actividades dispendidas durante a manhã.
Como era de esperar, na altura não tínhamos nem relógio, nem telemóvel e usávamos como referência temporal a passagem de um indivíduo de capacete branco, montado numa motorizada, igual a tantas outras na época, i.e. barulhenta e vagarosa. Findo a sua passagem, parávamos de imediato todas as nossas actividades lúdicas, e para nosso grande descontentamento, íamos para casa. Era 12:05 e tínhamos de ir almoçar, para mais tarde entrar na sala de aulas. O “12:05” era sempre pontual, não me recordo que tenha falhado uma única vez, era operário fabril e vivia ao fundo da minha rua.
Durante dois pares de anos, foi para nós uma referência e nunca foi preciso que as nossas mães nos viessem chamar à rua.
Hoje acordei ao meio-dia e cinco, veio-me à cabeça este episódio da minha vida. Agora que o fulano da motorizada já passou. Tenho de ir acudir às minhas responsabilidades…

Campos.


A análise do senhor provedor Américo dos Anjos Baptista
Um conceito inovador na altura em que os relógios eram um objeto caro poderia ter sido o “Homem Relógio”. Um indivíduo possuidor de um relógio, que a troco de uma moeda informava sobre as horas. Foi um negócio que nunca chegou a ser, mas poderia muito bem ter sido.

senhor Américo Baptista

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