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Imperatrizes, mas por pouco…


Outro dia fui fazer umas compras ao novo supermercado da minha terra natal. Qual foi a minha
surpresa ao deparar que na caixa do lado estava uma das raparigas mais bonitas da minha classe na velhinha escola primária. Tempos idos estes, memórias quase apagadas e esquecidas… Não tudo! Numa espécie de top a Cristina elencava seguramente a segunda posição. Cobiçada pelas elites, cobiçada pelos que se achavam bons, pelos medíocres, pelos enfezados e sem qualquer hipótese, e cobiçada ainda pelos durões. Certo é que a rapariga fazendo ou não parte das elites, fazia furor e tinha a sua legião de fãs. Era uma espécie de imperatriz, uma das imperatrizes, de um império imaginário, um mundo de brincadeiras inócuas movido por alguma ingenuidade característica daquelas tenras idades. Desconheço qual o seu percurso de vida, pois cedo perdi o contacto. Cruzo-me tenuemente agora, se é que se pode considerar cruzar. Creio que não me tenha visto, pois está de costas e além disso já se passaram duas décadas e os nossos rostos sofreram as mais diversas transformações fruto de um crescimento natural movido pelo passar dos anos. Talvez me reconhecesse, ou não, ou talvez ainda, fingisse que não me conheceria. Não sei, mas também não me importa…
A outra imperatriz era a Sónia e na minha modesta opinião era a mais bonita da classe, e tal como a Cristina fazia parte das elites, elas eram o centro das atenções… Poucos anos atrás encontrei-a numa loja de roupa, trabalhava lá. A sua expressão foi de apatia, em nada se manifestou, ignorou-me ou simplesmente não me reconheceu, embora relativamente à última hipótese eu tenha algumas dúvidas. Mas tal como o “encontro” com a Cristina, também pouco ou nada me importa, estou-me nas tintas, estou-me marimbando!
Vem-me agora à memória, um vestidinho que a Sónia tinha. Um vestido de lã com padrões quadrados coloridos, na altura adorava vê-la com aquele vestido.
As “velhas” imperatrizes passados mais de vinte anos, já não fazem jus ao estatuto alcançado anteriormente, ainda nos primórdios das suas vidas sociais. Na génese dos percursos escolares. A beleza que emanavam, desvaneceu-se, esfumou-se! Não sei o que se passou, nada sei e nem quero saber… Não é assunto meu, limito-me apenas a constatá-lo… No entanto apenas me apraz dizer que as meninas bonitas acabam sempre por perder o seu encanto…
Será que a Sandra e a Sofia são agora esbeltas? Bonitas será talvez difícil, se não mesmo impossível… Mas o conceito de beleza com a idade sofre algumas mutações, certas medidas noutras partes do corpo enchem o olho e ofuscam o discernimento da beleza. O desvirtuamento da beleza é inevitável e a bem da democracia é bom, sobretudo para algumas meninas que numa fase da vida passaram alguns tempos difíceis …
A Sandra e a Sofia, nahhhh!!!


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