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“A torrada.”

Era um indivíduo estranho, de uma raridade espantosa. Tinha ideias próprias e sempre o admirei por isso. Regia os seus actos por probabilidades criadas pelo próprio. Demorei alguns anos a percebe-lo, e admito que não foi nada fácil. Mas depois de o perceber, de o entender, de saber a forma como os seus pensamentos são estruturados, fica um tipo previsível, sobretudo se tivermos conhecimento das suas probabilidades, da sua realidade.
Para que se veja que é um tipo peculiar, cada vez que vai lanchar, a um café, opta sempre por comer um bolo, faz uma inspecção minuciosa da vitrina e quando não lhe agrada, simplesmente nada diz e irrompe rumo à porta, partindo em busca de outro café.
Outro dia já numa segunda tentativa frustrada, depois de todas as hipóteses esgotadas, num acto de profundo desespero acabou por pedir uma torrada. O singular aqui é que ele gosta de torradas com muito, mesmo muito pouca manteiga. Para verificar a quantidade de manteiga deixou cair a torrada em cima da mesa várias vezes. E como a torrada virou sempre com a manteiga para baixo. Chamou a empregada e disse de uma forma tempestiva “Eu pedi uma torrada com muito, muito pouca manteiga”…

Comentários

  1. Não vale a pena tentar pedir para colocar pouco de alguma coisa quando as pessoas estão formatadas para colocar uma determinada quantidade.
    Quando eu era frequentador da companhia das sandes pedia sempre para me colocarem apenas metade da quantidade habitual do recheio, o recheio era bom mas tinha excesso de maionese o que não me permitia terminar a sandes, mas não resultou apenas colocavam a menos uma ínfima quantidade. Em lugar de reclamar com a empregada decidi usar o meu mais valioso direito como consumidor. Não mais voltar ao referido local.

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